Campo de busca

Post destaque 1

Post destaque 1
Maquiagem para pele negra

Post 2

Post 2
Dica de passeio: cachoeiras em Conceição do Mato Dentro!

Post 3

Post 3
A elegância das capas!

Post 4

Post 4
Tendência: Strappy Bra!

Post 5

Post 5
Uber: o que você precisa saber sobre o aplicativo que está mexendo com BH!

‘Vinte centavos, por vinte anos’: entendendo os protestos no Brasil!

20 junho 2013


Sete dias, mais de 300.000 pessoas, centenas de cidades, milhares de policiais mobilizados, veículos de imprensa cobrindo cada segundo. À princípio parece tratar-se de algum tipo de festival, evento cultural ou mesmo um carnaval fora de época, mas trata-se da maior mobilização social da história da República Federativa do Brasil.
Dia 13 de Junho do ano de 2013. Baseando-se no calendário nacional, era pra ser um dia típico para o país, já que a agenda Brasileira não englobava nenhum evento de porte nacional. Enquanto o governo se preparava para a abertura da Copa das Confederações que se daria em dois dias, o Brasileiro mantinha sua rotina diária. Porém, as ações que ocorreriam no final da tarde em São Paulo mudariam o rumo dos dias seguintes. 
Mas, para contextualizar, é preciso mover o calendário para uma semana antes, mais precisamente para o dia 06 de Junho. Neste dia, o Movimento Passe Livre organiza o primeiro ato contra o aumento do preço do transporte público em São Paulo. Entre duas e quatro mil pessoas participaram dos protestos, o que não é uma quantidade tão impressionante, porém, a ação da polícia, que usa gás lacrimogênio e balas de borracha para conter os manifestantes, faz questionar-se a importância dessa primeira mobilização.
dsc_0097
No dia seguinte, 07 de Junho, ocorre o segundo dia de mobilização, que paralisa avenidas e resulta em 15 detenções em resultado aos novos confrontos entre policiais e manifestantes. A população começa a se organizar e o Movimento Passe Livre deixa claro que “não vai parar até baixar”. Dia 11, quando acontece o 3º ato, resulta em mais detenções e começa a repercutir internacionalmente.
Então, no dia 13 de junho, chega-se ao considerado epicentro dos ocorridos nos dias subsequentes: Milhares saem às ruas de São Paulo para protestar contra o preço e as condições do transporte público. Reprimido pelos policiais, o protesto pacífico dá espaço a inúmeros episódios de violência contra civis e jornalistas. A imagem do dia foi a da violência policial. A Anistia Internacional condenou a repressão. A atitude do governo foi desfavorável aos protestos. 
Falcão, vocalista da banda O Rappa, não sabia e muito menos a FIAT, mas a música “Vem pra rua”, tema de uma campanha nacional para a Copa do Mundo, tornar-se-ia o hino de uma nação nos próximos dias. Embalados pelo ritmo da canção, os protestos ganharam força nas redes sociais utilizando-a como convocação para a população “ir para a rua”.
Quatro dias depois dos acontecimentos que chocaram o país por sua violência, em 17 de junho, uma nova jornada na maior cidade do País levou 65 mil pessoas às ruas em um protesto predominantemente pacífico. Ao mesmo tempo, dez mil pessoas compareceram à Esplanada dos Ministérios em Brasília e incríveis cem mil pessoas foram à frente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro em duas das manifestações mais impressionantes ocorridas no dia. Enquanto isso, em outras várias cidades do país a população também se manifestou como Belo Horizonte, Porto Alegre, Belém e Fortaleza. Estima-se que cerca de duzentas mil pessoas, em todo o país, protestaram.
Manifestações virtuais por grupos como o AntiSec – conhecido por suas invasões - atingiram a principal revista em circulação no país, vários sites governamentais, entidades partidárias e nem mesmo a presidente se viu isenta das investidas.
20130618154142589430u 
Embora tenha começado como um protesto contra os 20 centavos de aumento na passagem em São Paulo, e tenha sido ironizado por isso por figuras famosas como o articuloso Arnaldo Jabor pela falta de “motivo” da mobilização popular, os atos que ocorreram tiveram um caráter muito mais profundo que isso. 
Em resumo, as manifestações são a expressão de uma população cansada de ser explorada, fadigada dos escândalos de corrupção, insatisfeita com o mau uso do dinheiro público e da precariedade dos serviços públicos prestados, como saúde, educação e segurança. Um dos maiores questionamentos dos manifestantes, embora tardio, é a construção e reforma de estádios - que custarão cerca de 28 bilhões para o governo federal - para eventos dos próximos anos, que depois ficarão subutilizados, enquanto o dinheiro poderia ter sido melhor investido em obras sociais. 
O momento é, sem dúvida, propício para as manifestações, visto que o país é foco da atenção internacional com os preparativos para a Copa do Mundo e a realização da Copa das Confederações. A mobilização é impressionante, pois, contrariamente ao esperado pela nação conhecida mundialmente como “País do Futebol”, a população está deixando de lado uma de suas maiores fontes de entretenimento para expressar os seus direitos. Embora traçar um retrato preciso dos protestos seja impossível, a manifestação da população é resultado de uma paralisia de mais de 20 anos de um governo letárgico em resolver a base dos problemas sociais, dando foco apenas em problemas monetários e econômicos.
O Senador Cristovam Buarque define, em poucas palavras, os causadores da revolução:
“As manifestações são o prelúdio do esgotamento de um modelo político-social-econômico dos últimos 20 anos. Não são pelo aumento de 20 centavos na tarifa de ônibus, são pelo cansaço de 20 anos no modelo da política. As manifestações são o despertar para a perda de esperança no PT como reorientador do modelo, e para a falta de esperança com alternativas para 2014.”
protesto
Os protestos prometem continuar até que o governo se manifeste em favor das reivindicações. Mais de 500 cidades em todo o mundo – o que é extremamente impressionante - tem se organizado para demonstrar sua insatisfação. Embora tenham sido registrados vários atos de vandalismo em todo o país, que estão contribuindo para denegrir a imagem do movimento, não é este o objetivo da maioria da população.
Porém, é preocupante o rumo que as manifestações têm tomado. Embora a força da população e seu interesse em mudar estejam evidentes, é necessário traçar objetivos concretos atingíveis pelos protestos. Existem várias questões que merecem atenção especial dos Brasileiros como a PEC 37 – que retira o poder do Ministério Público de investigar os políticos -; a PEC 33 – que diminuí o poder do Judiciário sobre o Legislativo - e o projeto de lei conhecido como a cura Gay – que considera a Homossexualidade uma moléstia.
Um posicionamento mais conciso da população é desejável, e poderia ser alcançado com mais conhecimento em diversas questões como a Lei de Diretrizes Orçamentárias, a Lei Orçamentária Anual, o Plano Plurianual ou ainda a Lei Complementar Nº 101 (Lei de Responsabilidade Fiscal), que norteariam melhor as reivindicações. Mesmo os manifestantes têm percebido essas lacunas e estão se organizando para embasar melhor os futuros protestos.
Um ato nacional está previsto para o dia 26 de Junho, dia do jogo do Brasil caso ele passe para a fase seguinte da Copa das Confederações – e que “coincidentemente” será votada a PEC 37 – e promete trazer um número de pessoas nunca antes visto na história do país para as ruas. 
O futuro e o resultado dos protestos são incertos, porém o que se espera é o mínimo de mudança em vários aspectos do governo atual. A última vez que se viu tamanha mobilização da população foi há exatos 30 anos, e o resultado disso foi a queda de um regime militar que perdurava por 20 anos. E o que parece é que temos diante de nós um fenômeno irreversível. Uma população que dormira por 20 anos (principalmente nos últimos 10) finalmente resolveu despertar para seus problemas.  Que ela tenha força, perseverança e, principalmente, inteligência para mostrar que ela quer um país novo.
“O Gigante Acordou”. Finalmente. Por causa de 20 centavos. Após 20 anos.
*Texto por: Yuri de Souza Guimarães.

xoxo. :*

Nenhum comentário:

Postar um comentário